USP - Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo

Pesquisa do IQSC conquista prêmio de melhor artigo de 2025 de revista da Sociedade Americana de Química

Publicado na Journal of Agricultural and Food Chemistry, artigo sobre fungo que causa prejuízo à citricultura tem entre os autores o professor Roberto Berlinck

Como um fungo consegue impactar laranjas e comprometer a produção de frutas cítricas? A busca por essa resposta levou pesquisadores a combinar ferramentas avançadas de metabolômica, espectrometria de massas e imagem molecular em um estudo que acaba de ser reconhecido como o melhor artigo de 2025 da revista Journal of Agricultural and Food Chemistry, periódico da American Chemical Society (ACS). Entre os autores do trabalho está o professor Roberto Gomes de Souza Berlinck, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP)

Concedido anualmente, o prêmio reconhece estudos de destaque nos campos de agroquímicos e química de alimentos. Os autores da pesquisa receberão uma placa comemorativa, um prêmio no valor de US$ 1.000, além da publicação de um artigo de perspectiva no periódico. Eles também farão uma apresentação, com as despesas pagas, no ACS Fall 2026 National Meeting, que ocorre em Chicago, entre os dias 23 e 27 de agosto de 2026.

O reconhecimento amplia a visibilidade internacional da pesquisa desenvolvida no Brasil e reforça o potencial da ciência nacional em áreas estratégicas, como agricultura e segurança alimentar. A premiação também pode favorecer novas colaborações científicas, intercâmbios acadêmicos e futuras aplicações tecnológicas no setor produtivo. 

O fungo Penicillium italicum, causador do chamado mofo azul, é responsável por grandes perdas econômicas na citricultura mundial | Crédito da imagem: Envato

Desvendando a pesquisa

Intitulada “Decoding the interaction between Penicillium italicum and citrus: untargeted metabolomics reveals a neglected postharvest pathogen”, a pesquisa foi publicada em outubro de 2025 e mostrou como o fungo Penicillium italicum infecta laranjas e outras frutas cítricas após a colheita. Com as análises feitas pelos pesquisadores do IQSC e do Instituto de Química da Unicamp, foi possível desvendar metabólitos associados ao processo de infecção. Entre eles está a brevianamida F, substância que demonstrou capacidade de impedir o crescimento de fungos endofíticos, organismos que vivem no interior das plantas, presentes nos citros.  Os resultados indicam que o fungo pode utilizar estas substâncias para alterar a microbiota natural da fruta e favorecer sua colonização. A descoberta abre caminho para novas estratégias de controle do mofo azul, uma das principais doenças que afetam a qualidade e a produtividade da citricultura.

Matéria: João Christensen, da Fontes Comunicação Científica