Nova gestão do IQSC propõe administração mais integrada, eficiente e centrada nas pessoas
Novos diretores do IQSC têm trajetória marcada pela atuação em cargos de gestão, com experiência na liderança de departamentos e na participação em diferentes comissões acadêmicas | Imagem: Henrique Fontes/IQSC
Direção liderada por Daniel R. Cardoso e Elisabete M. Assaf aposta no planejamento estratégico, inovação e ampliação de parcerias para projetar o Instituto em novos patamares acadêmicos
O Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP definiu sua nova direção para o período de 2026 a 2030. A chapa eleita, composta pelo professor Daniel R. Cardoso, como diretor, e pela professora Elisabete M. Assaf, como vice-diretora, apresentou um programa cujo lema é “Pessoas, eficiência e protagonismo institucional”. A proposta busca dar continuidade aos avanços recentes, ao mesmo tempo em que projeta ações estruturantes voltadas ao futuro do IQSC.
“Nossa gestão estará focada na modernização e eficiência administrativa e no fortalecimento do protagonismo institucional enquanto Unidade e equipe. O Instituto conta com docentes altamente produtivos e reconhecidos por seus pares, mas ainda há espaço para ampliar a integração e a colaboração, articulando melhor essas competências individuais para promover avanços mais coesos e competitivos internacionalmente.””, afirma o professor Daniel.
A vice-diretora destaca que muitos pesquisadores do Instituto atuam em áreas próximas e que, quando essas competências são articuladas, os resultados ganham escala. “A gente percebe que há várias iniciativas afins que, quando reunidas em projetos maiores, conseguem alcançar objetivos comuns. E já vimos que isso funciona”, diz.
Como exemplo, Elisabete citou a aprovação de projetos recentes voltados à aquisição de equipamentos multiusuários de grande porte. “Nos últimos editais de grande porte, conseguimos nos unir e aprovar equipamentos importantes. São recursos voltados à infraestrutura que envolvem o trabalho conjunto de um número significativo de docentes. Essa união fortalece o Instituto como um todo e amplia o impacto das pesquisas”, avalia.

O novo diretor do IQSC, professor Daniel R. Cardoso, aposta em uma gestão centrada nas pessoas, com foco no diálogo e na construção coletiva de soluções | Foto: Henrique Fontes/IQSC
Governança com transparência e participação
No campo administrativo, a nova gestão pretende fortalecer uma governança mais participativa, ampliando a transparência e o diálogo com a comunidade acadêmica. Entre as ações previstas estão a criação de espaços regulares de escuta, como reuniões periódicas entre a diretoria e a comunidade, além do estímulo à atuação dos órgãos colegiados.
“A ideia é trabalhar com escuta, ouvir as pessoas. Pode ser em grupos, porque somos muitos, e entender o que está acontecendo no dia a dia de cada setor, quais são as necessidades e o que pode ser melhorado”, explica a professora Elisabete.
Ela ressalta que, muitas vezes, os desafios não estão apenas na estrutura, mas também nas relações de trabalho. “Há situações que precisam de ajuste, conflitos que às vezes são desnecessários ou fruto de mal-entendidos. O primeiro passo é identificar onde isso está acontecendo”, avalia.
A partir desse mapeamento, a gestão pretende alinhar expectativas e priorizar ações possíveis. “Nem tudo poderá ser atendido de imediato, mas é importante que as demandas apareçam. Isso também é uma forma de valorizar as pessoas e entender como cada um pode contribuir melhor dentro do Instituto”, conclui.
O plano também prevê a consolidação do Projeto Acadêmico como instrumento dinâmico de acompanhamento de metas e indicadores, integrando planejamento acadêmico, administrativo e de infraestrutura em ciclos contínuos de avaliação.
Outro ponto de destaque é a modernização dos fluxos administrativos, com foco na eficiência e simplificação de processos, redução de retrabalho e adoção de uma comunicação mais clara e acessível, destaca o diretor eleito do Instituto.

A professora Elisabete M. Assaf será a primeira mulher a ocupar um cargo na direção do IQSC | Imagem: Henrique Fontes/IQSC
Pessoas no centro: acolhimento, capacitação e valorização
Além da escuta ativa, a valorização da comunidade do IQSC constitui um eixo central da proposta. A iniciativa prevê o investimento contínuo em capacitação, com foco na identificação e no desenvolvimento de aptidões, além da adoção de estratégias que promovam um ambiente mais colaborativo e integrado.
Entre as iniciativas previstas estão: criação de programas institucionais de acolhimento para novos integrantes; fortalecimento de ações de mentoria e acompanhamento acadêmico; ampliação de canais permanentes de escuta; e incentivo à capacitação contínua, incluindo temas como gestão, segurança e incorporação de novas tecnologias.
Para os docentes, o plano prevê ações voltadas à redução da sobrecarga em atividades administrativas, além do estímulo à inovação no ensino e ao uso responsável de ferramentas digitais e inteligência artificial.
Já em relação aos servidores técnico-administrativos, a proposta destaca a necessidade de ampliação do quadro técnico, em particular técnicos e especialistas de laboratório, e o reconhecimento do papel estratégico desses profissionais para a eficiência institucional.
“Hoje muitos técnicos atendem dois ou três grupos ao mesmo tempo. Isso não é o ideal para uma área de caráter experimental como a química”, aponta Daniel.
Infraestrutura: modernização e sustentabilidade
A modernização da infraestrutura constitui outro eixo prioritário da gestão. O plano prevê a conclusão das obras em andamento e a elaboração de um plano plurianual de reformas, orientado por um plano norteador de infraestrutura, com definição clara de prioridades e alinhamento estratégico, pensado para o desenvolvimento sustentável da Unidade no longo prazo.Também estão previstas ações como a revitalização de espaços de convivência, a garantia de acessibilidade plena, o fortalecimento de políticas de segurança institucional, a modernização da infraestrutura de informática e fluxo de dados e o aprimoramento da gestão de resíduos químicos com foco em sustentabilidade.
Na área de pesquisa e ensino, a proposta destaca o fortalecimento da Central de Análises Químicas e Instrumentais (CAQI) como eixo estruturante, ampliando seu caráter multiusuário e sua sustentabilidade financeira.
“A ideia é repensar os espaços para que eles sejam melhor aproveitados. Hoje, por exemplo, não faz mais sentido ter áreas subutilizadas quando podemos reorganizar para novas demandas”, explica a vice-diretora.
Parcerias, inovação e impacto social
A nova gestão também pretende ampliar o alcance do IQSC por meio de parcerias e ações de inovação. Entre as diretrizes estão: o fortalecimento da cooperação com outras unidades da USP e instituições nacionais e internacionais; incentivo a projetos colaborativos e redes de pesquisa; estímulo ao empreendedorismo, startups e spin-offs; ampliação das atividades de extensão universitária; fortalecimento da divulgação científica institucional. A proposta inclui ainda a promoção de eventos científicos abertos à comunidade, reforçando o papel do Instituto na interface entre ciência e sociedade.
“É fundamental ampliar a atração de estudantes para a Química, um desafio de escala global. Iniciativas inspiradas em programas de atração precoce de talentos para STEM (Science, Technology, Engineering, Mathematics) demonstram a importância de engajar jovens talentos desde cedo, despertando vocações científicas e fortalecendo a formação de futuras gerações de pesquisadores”, alega Daniel.
Ensino e futuro: novo curso e integração com tecnologia
Um dos pontos mais estratégicos do plano é a proposta de realização de um estudo institucional para a criação de um novo curso de graduação ou ênfase, alinhado às demandas contemporâneas da ciência. A iniciativa prevê a integração de áreas como química computacional, modelagem, ciência de dados e inteligência artificial, formando profissionais com perfil interdisciplinar e com foco em inovação. O estudo deverá ser conduzido de forma participativa, envolvendo diferentes instâncias do Instituto e da Universidade.
É pensar em um curso moderno, alinhado ao que há de mais atual na ciência, especialmente no que diz respeito à incorporação de ferramentas de inteligência artificial e ciência de dados. Para isso, buscaremos formalizar parcerias com outras unidades da Universidade de São Paulo que já possuem expertise consolidada nessas áreas”, explicam os diretores.
Além da nova graduação, a gestão pretende estimular, através da Comissão de Cultura e Extensão do IQSC, a oferta de novos cursos profissionais voltados para transferência de tecnologia e conhecimento para o setor produtivo. “Temos uma vocação muito boa para as áreas de energia e química analítica. Esses cursos de extensão e especialização serão oferecidos por meio de fundações de apoio, como a FAFQ, gerando recursos para a unidade”, ressalta o diretor da unidade.
Marco histórico
A nova gestão também traz um marco simbólico para o IQSC, quando terá, pela primeira vez, uma mulher na direção. Para a professora Elisabete não se trata apenas de uma conquista pessoal, mas também um marco para a instituição.
“Ocupar esse cargo representa uma oportunidade de demonstrar que nós temos plena capacidade de gestão, e de reforçar a importância da equidade de gênero, especialmente em espaços de liderança”, declara.
Essa perspectiva se conecta à proposta mais ampla da nova gestão. Juntos, os professores Daniel e Elisabete pretendem promover um “salto qualitativo” no Instituto, preservando sua trajetória de excelência e, ao mesmo tempo, incorporando práticas modernas de governança e planejamento.
“Nós estamos à frente da diretoria por um período para administrar e fazer o melhor possível. Isso passa por ouvir, construir junto e buscar soluções coletivas”, afirma o diretor.
Elisabete complementa. “Se a gente puder ser lembrado por uma gestão ética, justa e humana, já vai ser um grande legado”, conclui a vice-diretora do IQSC.
Reportagem: Henrique Fontes e Gabriele Maciel, da Fontes Comunicação Científica

