Mestrando do IQSC recebe Prêmio de Melhor Painel em evento da Sociedade Brasileira de Química
Mestrando do IQSC-USP conquistou o Prêmio SBQ com uma pesquisa voltada ao combate às mudanças climáticas I Crédito: Arquivo Pessoal
O trabalho de Enzo Zavanella Moret foi um dos dois premiados dentre mais de 60 pesquisas apresentadas na Divisão de Catálise
Enzo Zavanella Moret, mestrando em Físico-Química do Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP), recebeu o Prêmio SBQ de Melhor Painel Apresentado na Divisão de Catálise durante a 49ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), com o trabalho intitulado “Catalisadores de Ni/CaO e Ni/CaO@SiO₂ aplicados à reforma a seco do metano”. Enzo integra o Grupo de Reatores Químicos e Catálise Heterogênea, coordenado pelo seu orientador Luiz Henrique Vieira e pela professora Elisabete Moreira Assaf.
Concedido pela Sociedade Brasileira de Química, o prêmio reconhece pesquisas que se destacam pela qualidade científica, organização visual do pôster, clareza na apresentação dos resultados e capacidade de comunicação com o público. O estudo premiado contou ainda com a coautoria da química responsável pelo Grupo de Reatores Químicos, Doutora Alessandra Fonseca Lucrédio, e do doutorando Gabriel de Freitas Lopes.
O trabalho premiado desenvolveu um novo material à base de níquel e cálcio capaz de transformar dois dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global — o dióxido de carbono (CO₂) e o metano (CH₄) — em gás de síntese (syngas), uma mistura de hidrogênio e monóxido de carbono utilizada como matéria-prima na produção de combustíveis e diversos produtos químicos. A proposta oferece uma alternativa para reduzir as emissões desses gases ao mesmo tempo em que gera insumos de alto valor agregado para a indústria.
Para alcançar esse resultado, os pesquisadores desenvolveram um catalisador com revestimento de sílica, que aumenta a eficiência da reação química. Os testes demonstraram que o material favorece a conversão dos gases de efeito estufa em syngas e melhora o desempenho do processo.
Além de aumentar a eficiência da reação, o revestimento contribuiu para ampliar a durabilidade do catalisador, reduzindo o acúmulo de resíduos e o desgaste do material durante o uso. Os resultados indicam que a tecnologia tem potencial para impulsionar processos industriais mais sustentáveis, conciliando a mitigação das emissões de gases de efeito estufa com a produção de matérias-primas estratégicas para a indústria.
O material desenvolvido também tem potencial para ser utilizado na indústria de química fina e em tecnologias que ajudam a reduzir os impactos das mudanças climáticas. Entre essas aplicações estão processos que capturam o dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera ou de emissões industriais para reutilizá-lo ou armazená-lo de forma segura, contribuindo para a redução dos gases de efeito estufa.

Painel de Enzo Zavanella Moret premiado no evento I Crédito: Arquivo Pessoal
O projeto foi desenvolvido em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), iniciativa global voltada à promoção do desenvolvimento sustentável, à proteção do meio ambiente e ao enfrentamento das mudanças climáticas. A pesquisa está alinhada aos ODS 7 (Energia Limpa e Acessível), 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura) e 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima).
Embora os resultados sejam promissores, o estudo continua em desenvolvimento. Segundo Enzo, as próximas etapas buscam aprofundar o conhecimento sobre o comportamento do material e ampliar seu potencial de aplicação. “Pretendemos avaliar ainda melhor as condições da reação, variando as concentrações dos gases e explorando outras dinâmicas do processo. Também queremos entender com mais profundidade a interação entre o catalisador e os gases, além de investigar a estrutura e as propriedades do material sintetizado”, explica.
Para o pesquisador, o reconhecimento da Sociedade Brasileira de Química representa um importante marco em sua trajetória acadêmica. “Desde o início da graduação fui incentivado a participar de congressos, e receber esse prêmio é uma forma de agradecer a todas as pessoas que me apoiaram ao longo desse caminho. Ainda estou no início da carreira, mas levo muito a sério tudo o que faço e, aos poucos, vou reduzindo a distância de conhecimento que me separa dos pesquisadores que sempre admirei. Ter a oportunidade de compartilhar esse espaço com eles durante os congressos é muito gratificante. É resultado de muito esforço da minha parte e daqueles que me orientam e incentivam”, afirma.
A pesquisa demonstra como a química pode contribuir para o desenvolvimento de tecnologias que conciliam inovação, sustentabilidade e redução das emissões de gases de efeito estufa. O prêmio conquistado na 49ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química reforça a excelência das pesquisas desenvolvidas no IQSC e evidencia o papel da instituição na formação de pesquisadores capazes de propor soluções para desafios ambientais e energéticos de alcance global.
Por João Christensen, da Fontes Comunicação Científica

